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1º Dia - 02/04/2010 - Travessia do Estreito de Gibraltar


2º Dia - 03/04/2010 - Sítio Arqueológico de Volubilis


3º Dia - 04/04/2010 - Ifrane, a Suíça marroquina


3º Dia - 04/04/2010 - Floresta dos Cedros, Parque Nacional de Ifrane


3º Dia - 04/04/2010 - Atlas, lago a 2400m e pastores nómadas


3º Dia - 04/04/2010 - A vida difícil no Médio Atlas



3º Dia - 04/04/2010 - A imensidão do Atlas


3º dia, 4. Abril.2010, domingo de Páscoa

A alvorada foi mais cedo, seis horas e trinta da manhã, porque o dia ia ser longo, em marcha lenta, nas pistas de montanha, atravessando o Atlas. Estavam previstos 380 quilómetros e oito horas e meia de condução.

O Ali, que nos foi apresentado como um simples guia, surpreendeu todos pelo seu bom carácter e formação pessoal. Presença muito agradável, sempre disponível, culto e poliglota, gostava de falar português para ficar mais fluente na nossa língua. Ensinou-nos generalidades da história e cultura do seu país e nós partilhámos também com ele aspectos do nosso património pessoal e cultural. Informou, entre muitas coisas, que a parte esquerda do corpo, de acordo com o Alcorão, significa Satanás e só é utilizada em actividades menores. Foi necessário falar-lhe um pouco da dominância cerebral e de como é antinatural e contraproducente contrariar os esquerdinos, o que parece que os marroquinos desconhecem e, os que têm conhecimento, pouco podem fazer porque o livro sagrado do islamismo é lei para os muçulmanos.

Seguimos por Khénifra a caminho do Médio Atlas. A vista das montanhas do Atlas denuncia a imensidão do país. Continua o verde por todo o lado nos montes e vales e, agora, nos extensos planaltos, alguns albergando grandes lagoas a 1800 metros de altura.

À medida que rumamos para sul, a paisagem vai ficando mais agreste, com escarpas e desfiladeiros, muita pedra e poucas árvores e arbustos. A terra é mais árida e seca, mas no cume das montanhas ainda se vê neve e, nos vales, a água ziguezagueia no leito dos rios dando corpo a pequenos riachos.

As casas são cada vez mais pobres, quatro paredes de adobe, pedra e paus, as montanhas cada vez mais imponentes e desprovidas de vegetação. Continuamos a subir serpenteando, quase não se vêem vestígios humanos, nem sequer pastores nómadas. Parámos para a foto de toda a coluna, numa paisagem imponente, a cerca de 3200 metros.

No cume de uma montanha próximo de Imilchil, aos 2400 metros, surge um grande lago, Tislit. Entrámos numa picada, a paisagem é quase lunar, no meio do nada um casebre, mais à frente três crianças. Depois só nós, muito pó e muito vento. Parámos numa segunda lagoa, Iseli, e regressámos à primeira para almoçar, mais simpática por estar rodeada de algumas árvores. O vento que se fazia sentir, mesmo abrigados pelos jipes, apressou o almoço.

Atravessámos o Médio Atlas e sentimo-nos pequenos perante a vista fabulosa a lembrar o grande “Canyon” nos EUA, salvo as devidas proporções. Enquanto uns regalavam a vista e fotografavam o momento, outros aproveitavam para fazer uma caminhada pela estrada ou para tocar na neve que teimava em manter-se agarrada ao cume das montanhas. O insurrecto alentejano quis ter a experiência de correr àquela altura e naquele sítio inesperado e apanhámo-lo depois pelo caminho.

O alcatrão há muito ficara para trás, as aldeias, paupérrimas, quase não se descortinavam nas montanhas devido às suas construções muito simples, com pequenos orifícios a servir de janelas, e do mesmo material e cor envolventes, completamente integradas na paisagem. As crianças, ensinadas a pedir desde os primeiros anos de vida, erguiam as mãos, num misto de aceno e pedido para parar, atravessavam-se na estrada, faziam piruetas, corriam ao nosso lado, batiam nos jipes, para que lhes déssemos qualquer coisa. Não resistimos e ofertámos bolos, bolachas, amêndoas, bolas e bonés, em andamento. O pó estava por todo o lado e as formas quase não se distinguiam, a cor era sempre a mesma, terracota.

Nos vales, as aldeias surgiam próximo de cursos de água e de pequenos nichos de áreas de cultivo, quebrando a monotonia cromática.

No percurso descendente, a luz vermelha dos travões do Terrano acendeu-se, pelo que tivemos que descer as montanhas muito lentamente, com as redutoras, e fomos alcançados por outra coluna de jipes portugueses, de Oeiras, cerca de dez. Formámos então, durante alguns quilómetros, uma caravana majestosa. Veio mais tarde a concluir-se que o problema não era nos travões, mas apenas eléctrico.

O resto do caminho foi feito de noite, até Boumalne Dadès. Ficámos no Hotel Kashbad de la Vallé. Jantámos sopa de tomate e outros legumes, “tajine” de frango com legumes em açafrão, salada e bolinhos de baunilha. Depois fomos ao bar do hotel onde encontrámos turistas animados de várias partes do mundo, inclusive orientais, ouvir um grupo tocar os tambores tradicionais e beber chá verde com menta.

Os quartos eram muito agradáveis, ouviu-se o rio a correr toda a noite e, de manhã, pudemos observar, da espaçosa varanda de cada quarto, que estávamos num estreito vale, entalado entre montanhas de pedra, onde só cabia o longilíneo hotel, a estrada e o rio.

Rádio África


2º dia, 3.Abril.2010, sábado

Partimos cerca das nove horas e trinta rumo a Azrou.

Passámos por Ksar el Kebir, Souk-el-Arba-du-Rharb, Sidi-Kasem.

A paisagem é semelhante, mas numa escala muito superior, às planícies ribatejanas, verdinhas, alguns cabeços pontuados de oliveiras e laranjeiras, mas a maioria desnudados, só verde, muito verde.

A pastar, algumas vacas e muitos rebanhos de ovelhas e cabras.

Os burros e mulas estão presentes em todo o quotidiano dos marroquinos, à falta de outro transporte e maquinaria são um recurso muito valioso.

As povoações são pobres e a maioria das construções inacabadas, à espera que as próximas gerações se instalem nos pisos superiores por construir.

Os autóctones vestem túnica comprida com capucho, a “gilaba”, os homens de branco, tons terra ou tons sóbrios, as mulheres de cores mais vivas, por vezes com estampados, e calçam “babuchas”, um sapato de pele de camelo que pode ser pisado no calcanhar e servir de chinelo.

Em Marrocos sente-se a discriminação das mulheres. Logo na fronteira, todas as diligências são tratadas, preferencialmente, com os homens do grupo. Raramente se dirigem às mulheres e, frequentemente, quando as mulheres os interpelam, respondem para o homem que está mais próximo. À mesa, só são servidas em primeiro lugar se o parceiro fizer questão e, quando as mulheres falam para os marroquinos, estes mantêm sempre uma distância confortável e costumam responder dirigindo o olhar para o homem mais próximo.

Quando encaramos as mulheres marroquinas, o gesto já está interiorizado, imediatamente baixam a cabeça e os olhos, por vezes tapando a cara com o véu solto pelo rosto, deixando apenas os olhos expostos. Algumas mulheres ostentam mesmo “burcas” mas, a maioria, apenas um véu na cabeça e a túnica até aos pés. As crianças, independentemente do género, na sua espontaneidade e pureza, interagem naturalmente, sorriem, acenam, cumprimentam com um bonjour ou um au revoir.

Em vez de carros cruzamo-nos com carroças puxadas por burros ou mulas, sempre apinhadas de gente e bagagem, fazendo lembrar Portugal há umas décadas, com a particularidade destas carroças terem rodas com pneus e molas, o que permite deslizar com todo aquele peso e fora da estrada. Vêem-se também muitos jovens de bicicleta e algumas motorizadas que ocupam a estrada de forma desorganizada.

Muitos terrenos permanecem alagados e os montes apresentam cicatrizes profundas da última intempérie, decerto responsável por todo o verde ecológico que testemunhamos a perder de vista.

Um jipe foi mandado parar por ter tirado uma fotografia num cruzamento citadino onde estava um polícia. Temos de ter cuidado com o que fotografamos e filmamos porque não é do agrado dos locais. Mesmo de longe, frequentemente acenam a informar que não concordam com os ditos registos. As meninas e as mulheres, assim que vêem uma máquina, imediatamente viram as costas ou tapam o rosto. A discrição e o bom senso têm de imperar.

O almoço volante foi num bonito olival e o sol escondeu-se para tornar o nosso repasto mais aprazível. A saborosa comida portuguesa saltou das caixas de mantimentos e esteve no seu melhor, queijos, chouriças, feijoada, grão-de-bico com mão de vaca, vinho, bolinhos caseiros, sempre acompanhada pelo apetitoso pão marroquino, muito semelhante, na forma, às pizzas e, para sobremesa, nunca faltaram as doces e sumarentas laranjas marroquinas compradas à beira da estrada.

Parámos para fotografar o Sítio Arqueológico de Volubilis, ruínas de uma cidade romana edificada pelo menos no século III, que foi reocupada no século VI pelos muçulmanos, e que jaz tranquilamente num mar de verde quase infinito. Foi declarada Património mundial da UNESCO em 1997.

Nesta zona de África os campos são férteis e organizados, os marroquinos trabalham árduamente a terra com a ajuda dos seus animais e um arado ou, simplesmente, com uma enxada e a força dos seus braços.

Como comunicávamos por rádio e walkie-talkie, a movimentação estava sempre afinada, um parava e toda a coluna suspendia a marcha. Fomos divididos em três grupos, cada um com três jipes, para facilitar o controlo, no meio os de menor cilindrada e, nas extremidades da coluna, os conhecedores do terreno e responsáveis pela expedição, a primeira posição para o Discovery do Rui e Ramiro, com a mais-valia do guia, l’ amie Ali, e a última para o Toyota do Romeu e Zé.

Em muitas localidades, nos cruzamentos e rotundas, e em alguns pontos das vias principais, aparecia uma parelha de polícias atentos, especialmente à velocidade. Depois de diversos troços com obras na estrada, maioritariamente, para pavimentação e construção de rotundas, chegámos ao Parque Natural de Ifrane, a cerca de 1700 metros de altura, com visibilidade turva pela neblina e dado o adiantado da hora, quase dezassete horas.

Atravessámos a cidade de Meknès que é surpreendente pela sua construção com os telhados muito inclinados, herdada dos seus fundadores franceses, para fazer face aos nevões de quase um metro de altura no Inverno. É espaçosa, muito organizada e amiga do ambiente, limpinha e repleta de jardins e árvores parecidas com choupos, ainda sem folhas, e muitos cedros.

A esta altitude, o frio, os cedros e a inspiração franco-suíça nas edificações, completam a inusitada paisagem alpina. Meknès é uma cidade abastada e multicultural, ostenta uma universidade construída pela Arábia Saudita, tida como uma das melhores de África, onde filhos de ministros e outros jovens economicamente favorecidos de diversos países africanos vêm formar-se, com propinas a ascender a mais de 2000 euros mensais.

Apenas espreitámos a Floresta dos Cedros porque a noite caía e conseguimos ver alguns macacos selvagens, mas ainda tivemos tempo para fazer um pequeno percurso fora de estrada e com direito a uma passagem encharcada por um riacho.

Chegámos ao Hotel Le Panorama às dezanove horas e trinta, em Azrou, degustámos um saboroso creme de legumes e “tajine”, o prato mais típico de Marrocos, de frango, vaca, borrego ou omoleta, à escolha de cada um, uma deliciosa tarte de maçã e… bom vinho vindo de Portugal!

Fizemos apenas 300 quilómetros, estavam previstas quatro horas de condução, mas passámos praticamente todo o dia dentro dos jipes, pela necessidade de não perdermos ninguém pelo caminho…


A minha cunhada Luísa Carvalho, aventureira destemida, participou na 1ª Expedição a Marrocos pelo núcleo TT dos Serviços Sociais da CGD que decorreu de 2 a 12 de Abril de 2010.

Passo assim a publicar as suas crónicas, devidamente autorizadas pela autora, e a sonhar com uma participação numa expedição similar.

1º dia, 2.Abril.2010, sexta-feira santa

Depois de termos conseguido acomodar tudo nos jipes, o que era preciso e o que não era preciso, dando prioridade aos haveres que cumpririam o grande objectivo humanitário da expedição e ao material e equipamentos de prevenção de qualquer eventualidade nas máquinas ou nas pessoas, partimos, após a reunião do grupo e a fotografia de "família", em Lisboa, frente à sede da CGD, eram sete horas da manhã.

Tinha início a 1º Expedição a Marrocos organizada pela Secção Todo-o-Terreno dos Serviços Sociais da CGD, nove jipes, vinte e quatro aventureiros, a saber: Land Rover Discovery, com o Rui Guarda e o Ramiro Gameiro Jorge, de Lisboa, Land Rover Defender, com o Fernando Alvarinhas e o mecânico de serviço, o Luís Henriques, de Penacova, Land Rover Discovery, com o Arnaldo Xarim e o filho Guilherme Xarim, de Santarém, Nissan Terrano I, com o casal Marino e Luísa Carvalho, de Rio Maior, Land Rover Defender, com o Samuel Araújo e o José Alberto Cerqueira, de Arcos de Valdevez, Susuki Samurai, com o Filipe Ribeiro e o Sérgio Carvalho, de Peniche, Mitsubishi Space Wagon, com o casal Carlos e Paula Leitão e os filhos Pedro e Tiago Leitão, de Lisboa, Nissan Patrol, com o casal Alfredo Antas Teles e Adozinda Pinto e os amigos Mariana Pires e António Pedro Ferreira, de Lisboa, e Toyota Land Cruiser, com o casal Romeu e Ana Joaquim e o casal José Alberto Pereira e Isabel Silva.

Um sol gordo e pálido assinalava a margem sul do Tejo e compunha uma sinfonia de cores em tons pastel, impregnando a travessia da Ponte Vasco da Gama de uma candura repousante e lívida. Lisboa ficava para trás, completamente desfigurada pela quase ausência de carros e pessoas nas ruas, e iniciámos o primeiro dia de viagem, 600 quilómetros até Tarifa.

Uma viagem sem imprevistos é como um livro sem histórias e, no nosso livro, a primeira história surge à laia de prefácio, tão prematura ocorreu. O Suzuki Samurai parou a poucos quilómetros de Beja, supostamente, com problemas na caixa de velocidades, e foi necessário tomar decisões. Parte da carga foi distribuída pelos outros jipes e os seus dois ocupantes, o Filipe e o Sérgio, recorreram à assistência em viagem e regressaram, de táxi, a Peniche, seu local de partida, onde dispunham de um segundo Suzuki, neste caso Jimny, para se juntarem novamente a nós, já em Marrocos. Afinal, um familiar trouxe o tal jipe suplente até Lisboa, abreviando a viagem destes resistentes.

A planície alentejana vestia verde intenso, estampado aqui e ali de amarelo ou lilás e, como acessório, apresentava um azul celestial, cada vez mais quente.

A coluna integrava então oito viaturas, mas logo passámos a nove, depois do último jipe da expedição, outro Suzuki Samurai, se juntar a nós, em Beja, com o Vitor Carneiro e a filha Cláudia Carneiro.

Entrámos em Espanha cerca das onze horas, por Rosal De La Frontera. A alentejana Matilde, o Samurai, começou com afrontamentos, pelo que tivemos que parar novamente a caminho de Sevilha, a primeira vez para a refrescar com água do Luso, outra vez para lavagem do depósito de água, todo besuntado de óleo e, depois de uma marcha lenta e agonizante para quem estava desejoso de viver a soberba experiência de atravessar o estreito de Gibraltar, assim como para os zelosos no cumprimento de horários, a derradeira paragem, a Matilde teve de ficar em Santiponce-Sevilha para tratamento ambulatório. Mais uma vez tivemos que redistribuir a carga pelos oito jipes restantes e, neste caso, também os seus dois ocupantes, o Vitor e a Cláudia.

Esta demora por terras da Andaluzia acabou por proporcionar a reunião do grupo ainda em Espanha, o Jimny que transportava o Filipe e o Sérgio alcançou-nos e estávamos novamente nove jipes e vinte e seis aventureiros a entrar no ferry-boat em Tarifa, depois de recolhidos os bilhetes em Los Barrios.

Chegámos ao porto de Tarifa cinco minutos antes da hora da partida, vinte e uma horas, mais uma hora que em Portugal, o ferry quase só para nós, imenso, o sol a esconder-se nas águas atlânticas deixando-nos mergulhados num envolvente cénico pelas luzes brilhantes e formas imperfeitas a diluírem-se na noite. A noite acabou por nos cegar e a contemplação do norte de África e da extremidade sul da Península Ibérica ficava agendada para a viagem de regresso. Contudo, o primeiro capítulo da nossa história ficou mais recheado e inesquecível!

A viagem marítima até Tanger foi muito tranquila e o desembarcar de pessoas e viaturas fluente, mas deparámo-nos depois com a demora habitual dos trâmites legais para entrar em Marrocos. O guia Adidou Ali, amigo do Rui de expedições anteriores há cerca de dez anos, juntou-se a nós, um marroquino berbere que se veio a revelar de excepcional valor humano.

Após 45 quilómetros chegámos ao Hotel Al-Khaima, em Asilah, às vinte e três horas locais, menos uma que em Portugal. O jantar incluiu azeitonas temperadas com azeite e pimentos como entrada, sopa marroquina, peixe frito e laranja com canela.

O cansaço e o sono obrigaram a uma retirada imediata para os quartos.

Hipocrisia!

A Professora das AEC de Mirandela posou para a Playboy, conforme se pode ler aqui.

Quer dizer que uma técnica, com salário ridículo, é afastada por ter exposto o seu corpo numa publicação legal, enquanto que pessoa com outras funções mais relevantes e estatuto remuneratório bem mais vantajoso pode levar objectos que não lhe pertencem e ainda é aplaudido.

Mas estaremos todos lélés da cuca?

Comissão de quê?

Faz parte da comissão de ética do Parlamento e leva consigo dois gravadores dos jornalistas que o estavam a incomodar, exercendo enorme pressão psicológica durante uma entrevista.

E tem o apoio do seu par de bancada. Não há dúvida, diz-me com quem andas....

Mas é uma Comissão de quê? Ética? Hummmmm, por isso foi escolhido. Aqui mais se poderá ler sobre o assunto. E também neste post.

"O acordo de dois partidos, revezando-se sucessivamente no poder (...) falhara inteiramente na sua reiterada aplicação prática. O jogo permanente (...) desgastara todas as engrenagens, boleara todos os ângulos, puíra todas as arestas (...) Nenhum dos dois partidos a si mesmo se distinguia do outro, a não ser pelo nome do respectivo chefe, politicamente diferenciado, quando muito, pela ênfase pessoal de mandar para a mesa o orçamento ou de pedir o copo de água aos contínuos".

Retirei esta transcrição daqui e vale a pena ser lida toda a peça para se perceber em que ponto estamos.

Devido a dificuldades de ordem técnica das quais não somos responsáveis hoje não será lançado um novo post incluído neste top. Pelo facto pedimos as mais sinceras desculpas esperando retomar amanhã a postagem de mais videoclips.
O responsável pelo Top - João Banderas Nogueira

Due to some difficulties of technical order that we are not responsible, today a new post included in this top will not be launched. For the fact we ask the most sincere excuses waiting to retake tomorrow the post of more videoclips.
The manager of the Top - João Banderas Nogueira

Eu sei que estamos numa fase de música e futebol e, portanto, desculpem-me a intromissão. Mas isto da economia também me faz vibrar. Assim, cá vai:

A crise, a famosa crise, criada pela ganância e cobiça de empresários, gestores e políticos mundiais, vai ter de ser paga por todos. Os que podem muito, os que podem pouco e os que podem assim assim.

Em Portugal, pelo que tenho lido e ouvido, uma das atitudes a tomar é a diminuição do subsídio de desemprego, de que dependem cerca de 500 000 compatriotas. Em Espanha, porém, são muito mais criativos e dão o exemplo eliminando 29 empresas públicas (a maior parte das fundações) e 32 altos cargos nos ministérios. Conforme se lê nessa notícia, prevêem poupar, assim, 50 biliões de euros até 2013. Afectam, portanto, um menor número de pessoas, provavelmente com altas qualificações e maior facilidade em encontrar trabalho.Como se compreende, pois eu imagino que se despedissem, por exemplo, o sr. Mexia, ele nem tempo teria para ir a casa mudar de roupa porque, logo que descesse as escadas e chegasse ao olho da rua, haveria uma fila de empregadores a oferecer-lhe trabalho. Se calhar a ganhar ainda mais, pois ele merece, ao que ouço dizer.

A esta decisão espanhola chamo pragmatismo, inteligência e consciência das realidades. Por cá se não formos por idêntico caminho admirem-se quando as convulsões sociais a sério começarem.

A propósito, vejam como se faz política sem serem precisas mordomias nem luxos

TOP10 - Paulo Roberto Falcão

Como estamos numa de TOP's muito bem dinamizados pelo nosso amigo (estrela de Óliúde) Banderas eu vou na onda e coloco aqui o meu TOP10 dos futebolistas que mais gostei de ver jogar.

Alguns deles tive a infelicidade de ver muito pouco do seu futebol, as transmissões televisivas eram quase inexistentes, mas o que felizmente vi foi o suficiente para me apaixonar pela forma de jogar destes talentos.

Não há o 1, 2º ou 10º... gosto de todos... são os meus 10 favoritos.


Eles são mais do que “Contentores”, “Casinhas”, “Feras”, etc. Também têm outras coisas, principalmente na fase inicial, com bastante qualidade. Sabiam que inclusivamente foram agraciados pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Ordem de Mérito em 2004?

Escolhi uma música que está incluída no segundo álbum que editaram – “Cerco” – que, curiosamente, foi gravado numa semana uma vez que nenhuma grande editora quis apostar no seu conteúdo.

Esta é para ti Ana (não é essa, é outra).



XUTOS E PONTAPÉS – HOMEM DO LEME (1985)


Sempre que vejo este videoclip parece-me uma antevisão do que iria ser um diálogo entre o Jorge Jesus e alguns jogadores do Benfica, nomeadamente o Fábio Coentrão, o David Luís ou o Di Maria.

Ora vejam.



TRABALHADORES DO COMÉRCIO – TAQUETINHO OU LEBAS NO FUCINHO (1982)


Não sei porquê, mas sempre gostei desta música. Ouvi vezes sem conta uma cassete gravada directamente da rádio. São fases…

E o que é feito deles? Foi algo complicado encontrar na net coisas relacionadas com os CTT. O próprio vídeo é assim pró muito simples. Só consegui descobrir que o vocalista se chamava Luís Plácido (o João Paulo é capaz de conhecer mas eu não) – que alguns consideram um dos melhores desta época –, cantavam em feiras e bailes de vila e existia uma “comunidade” de fans que os seguia para todo o lado.



CTT – HORA DE PONTA (1982)


O que se pode dizer deste senhor da música portuguesa que ainda não tenha sido dito. Muito pouco.

Então vamos só ouvir a música. Mas quais?

Bom, neste post vou, excepcionalmente, incluir duas canções. A que gosto mais “Estou além” e um um vídeo dos “Humanos” (grupo que até agora gravou 12 !! temas do António Variações) mas com o som de uma maquete original.



ANTÓNIO VARIAÇÕES – ESTOU ALÉM (1982)




ANTÓNIO VARIAÇÕES – MUDA DE VIDA (1984)


Naturalmente não podia ficar de fora a música que promovia o desenvolvimento dos maxilares. O pessoal gostou tanto deste tema que tornou o álbum "Taxi" o "primeiro disco de ouro do rock português", vendendo mais de 35.000 discos. É claro que naquela época não havia mp3, CDs piratas, etc. Mais, para quem gosta destas coisas, actuaram na primeira parte de um concerto dos Clash !!! Esta não fazia a mínima ideia.



TAXI – CHICLETE (1981)


Vista daqui (leia-se, música que se consegue fazer agora) é muito “crua”. Até o nome do grupo é, digamos, fraquinho. Mas como na altura em que saiu não ligava a nada disso e até me soava bem – tipo rebelde e tal – aqui está ela. O espírito desta “retrospectiva” é mesmo esse. Pessoal.


RÓQUIVÁRIOS – ELA CONTROLA (1981)

Tinha que pôr aqui o Bob Dylan português. A letra parece um pouco regionalista (mas se ouvirem com atenção deixa de ser…), mas é bastante interventiva e fica no ouvido.

E ainda com “fumos”. E não esquecer que estamos em 1981.

Interlúdio: Não sei se já repararam mas nestes anos as canções saíam bastante “politizadas”. Hoje está tudo um bocado mais “Morangos com adoçante” (Sempre gostei desta etiqueta). Porque será?



MÁRIO MATA – NÃO HÁ NADA P`RA NINGUÉM (1981)


Esta, como muitas outras, vinha à boleia do espírito “Chico Fininho” ( … fumar ganzas , perfume patchouly, etc …) e o pessoal da minha idade, com menos 28, 29 anos do que actualmente (quem me conhece faça as contas), achava piada. E ficou no ouvido (principalmente o refrão). Até agora.

O que vocês não sabiam (e eu também) é que a letra desta música foi censurada. Passou a “underground”.

PS: Ouvi hoje mesmo uma nova versão desta música num anúncio publicitário a um grande hipermercado do nosso burgo. Não gostei nada. Perdeu inclusivamente algum “encanto” nostálgico e estive mesmo para a riscar desta lista. Mas como o post já estava feito aqui vai.



GRUPO DE BAILE – PATCHOULY (1981)


Às camadas….

Muito antigamente, as camadas eram apenas três – a nobreza, o clero e o povo. E o povo, esmagadoramente rural, trabalhava para sustentar as outras duas.


A seguir vieram os artesãos e os comerciantes. Pouco depois desenvolveram-se a burguesia e o proletariado. Mais recentemente, o poder passou para as mãos dos profissionais da política.


E as camadas cresceram. Vejam só o que as receitas dos impostos precisam de pagar:


Juntas de Freguesia;

Câmaras Municipais;

Governos Civis;

Governos Regionais;

Assembleias Regionais;

Governo Central;

Assembleia da República;

Parlamento Europeu.


“Apenas” oito camadas de poder político, sem falar nos partidos em si mesmos que também recebem do erário público. Para além dos serviços diversos, gabinetes, fundações, consultores, assessores, comissários, observadores e observatórios, enfim, um sem número de postos e lugares ao lado da política mas que do Estado dependem e que nos atiram para uma despesa superior à receita.


Quando um tipo tem de pagar o IRS e se põe a pensar…dá nisto. Não sei se me esqueci de alguma mas se derem por falta, informem-me para ser acrescentada!


E quem produz para suportar isto? Maioritariamente o mesmo povo que, no tal antigamente, sustentava a nobreza e o clero. E que, hoje, lê disto neste jornal, mesmo escrito em francês, e fica espantado. Para além de outras, (como é que se diz?... ah já sei) omissões da lei que nos levam a pagar a viagem de fim de semana a casa, que, por acaso, fica em Paris. Não está mal de todo porque podia ser nas Seychelles.


"Tou" lixado!

Entreguei hoje, "carneiralmente", a minha declaraçãozinha para o IRS.

Lá fiz a simulação respectiva e não é que vou pagar mais 2 000 € que no ano passado, apesar de ter tido rendimentos ligeiramente menores.

Pois, o pessoal não está atento e depois f...ica sem o guito nas algibeiras. As deduções específicas para os Portugueses que já passaram o prazo de validade para o trabalho (vulgo reformados ou aposentados), têm, agora, uma muito menor dedução específica. E, claro, um imposto MUITO maior.

Ó meus amigos, ponham-se de olho vivo e alerta porque isto vai doer a quase todos. Para já vou pagar a prestações e depois vou emigrar para um sítio onde possa viver com o que me sobra após ser assaltado.



Não resisti a incluir aqui os GNR.

E perguntam voçêzes: GNR? Então e o Rui Reininho? Estás mazé a enganar a gente.

É mesmo verdade, respondo eu. Houve uma fase pré-Reininho, ainda sem os subsídios da CEE (para quem não se lembra, aderimos em 1986).

O problema é que, após ouvirem a letra desta music – “ … Portugal e a CEE
Quanto mais se fala menos se vê …. “ (palavras premonitórias, digo eu) - os senhores de Bruxelas exigiram um vocalista

mais “europeu” (CEE oblige) e lá veio o dito cantar as Dunas (já com os subsídios, hê, hê). Nããã … estava só a reinar … reinar, Reininho …. Epá. Até ficou giro.



GNR – QUERO VER PORTUGAL NA CEE (1981)



Editaram uma série delas. Optei pela primeira. Pela letra (Ao redor desta fogueira / Enquanto as armas descansam / Ergo meus olhos aos céus / Pelas estrelas dos teus. – É bonito), pela música e … porque ainda não usavam aquelas roupas, digamos …., “bélicas”.


HERÓIS DO MAR – SAUDADE (1981)