"African Time" pela mão de Joana Fartaria no Xikwembo.
tipo de pastilha: África, Moçambique
Eu nunca assisti a uma matiné (e muito menos soirée) dos Icon. Mas juro, chikuembo xainhako pelas cinco chagas de Cristo (linguagem changane), que irei ser um fervoroso apoiante logo que me garantam uma senha de presença deste género. (o vermelho é em homenagem aos que levam 6 de avanço).
E sempre fica mais em conta que um figo, daqueles secos.
Os Icon Vadis merecem, pelo que me dizem e pelo que eu vi num programa de TV, nacional. Ao internacional chegarão quando acompanharem a Susan Boyle.
Parabéns por continuarem a actuar.
tipo de pastilha: Deixa-me rir para não chorar..., Icon Vadis, Irritações, Moçambique
Mais um almoço domingueiro e mais uma deliciosa história/memória dos tempos da África portuguesa, aquela mesa foi feita para 6 mas eu gosto mesmo é daqueles almoços com as habituais 11 pessoas (7 adultos e 4 crianças).
Estão quase sempre lá todos um bocadinho apertados é certo mas muito dificilmente esse detalhe sem importância faz-nos trocar de programa, com o mesmo ritmo que os famosos petiscos do pai Amadeu vão desaparecendo a conversa flui com entusiasmo genuíno e desta vez de entre muitos outros assuntos destaco a tal memória de África.
De facto nunca tinha perguntado como é que uma pessoa que foi para Moçambique (o meu pai) em pouco mais de 3 anos já era sócio da Ferrageira do Alto Maé juntamente com o Sr. João Sampaio, não sendo ele um jovem com dinheiro mas apenas um que como tantos outros tinha ido tentar a sua sorte na ex-colónia… como teria arranjado o dinheiro e o parceiro certo para a tal sociedade?
Para além da vontade e do voluntarismo é preciso ter alguma sorte, e o meu pai teve-a.
Em Novembro de 1964, acabadinho de chegar a Lourenço Marques vindo de Vila Franca de Xira e com 20 anos, o meu pai levava na bagagem um embrulho para ser entregue ao seu irmão mais velho com quem iria viver nos primeiros tempos e cujo conteúdo desconhecia, o mistério seria desvendado nas primeiras horas de África, era um queijo de Évora que para além do tempo que já tinha ainda levou com mais um mês de barco (paquete Moçambique) do Atlântico norte até ao Índico sul.
O produto alentejano aguenta tudo… já todos sabemos.
O queijo era para um senhor também ele oriundo da terra dos campinos, como o meu pai tinha tempo e queria conhecer a cidade o meu tio pediu-lhe para ir entregar o já famoso queijo, e tudo começou assim, quando voltou para casa não só já tinha um emprego como ia ganhar mais do que o meu tio que trabalhava como caixa no Banco Nacional Ultramarino.
O tal senhor era gente importante em Lourenço Marques e porque em tempos o meu pai (em Vila Franca de Xira) tinha feito desinteressadamente um recado a esse mesmo senhor poucos anos mais tarde oferecia-lhe emprego como apontador de obras da Sofil.
A Sofil era uma sociedade de construções que funcionava como grupo, tinha várias empresas associadas que principalmente operavam para fornecer a “empresa mãe”, tinha uma empresa de areias, uma de tintas e mais algumas outras.
Faltava contudo à Sofil uma empresa que fornecesse os restantes materiais de construção e ferramentas (o chamado material fino… o grosso são as areias, cimentos, tijolos) e assim foi criada a Ferrageira do Alto Maé tendo sido destacados de outras empresas do grupo os dois principais funcionários.
Um desses funcionários era o meu pai que tinha a responsabilidade do contacto com as pessoas, o outro era o tal Sr. João Sampaio menos de contacto mas nuclear pois ficou responsável pela contabilidade da empresa.
Um trágico acontecimento mudou a vida destas 2 pessoas, um prédio de 15 andares que tinha sido construído pela Sofil tinha caído em Lourenço Marques (na Av. 24 de Julho perto da pastelaria Princesa), uma comissão de inquérito para apuramento de responsabilidades que tinha ido da metrópole decidiu dissolver toda a sociedade dando a oportunidade e o direito de preferência aos seus ex-funcionários de ficarem com as respectivas empresas do grupo.
Com a fundamental ajuda da banca o meu pai e o seu sócio compraram a Ferrageira do Alto Maé por 2 mil contos e conseguiram também uma conta caucionada de outros 2 mil contos e tudo isto a pagar em 3 ou 4 anos… e foi pago.
Decidem investir novamente (sempre com a banca por trás) para poderem comercializar ferro, para que tal fosse possível a Associação dos Ferrageiros (uma espécie de Ordem dos Farmacêuticos) exige a compra de um camião, de uma grua e mais uma infindável lista sempre exigida aos poucos.
Tendo passado não mais de 6 ou 7 anos após a compra da sociedade, depois de pago este novo investimento e quando começavam a distribuir lucros surgem os cravos, a Ferrageira foi nacionalizada e convertida como parte da Dimac voltando tudo ao zero.
tipo de pastilha: A minha vida dava duas ou três linhas, África, Maputo, Moçambique, Once at the camping
Sabendo que os traumas da colonização portuguesa estão ainda bem presentes nos “nossos” países africanos, nas pessoas que lá viveram e nas que lá ficaram, é Moçambique pelas razões óbvias e conhecidas que me faz parar muitas vezes para pensar sobre tudo e mais alguma coisa.Deixo-me ir em pensamentos e tentativas de chegar a conclusões que servem para tudo, para preencher a minha mente, para distrair-me, para encurtar os mais de 7.000km de distância, para convencer-me que mais tarde ou mais cedo vou mesmo lá parar.
Neste momento considero-me limpo ou purgado da parte que me tocava desses traumas, a viagem feita em Junho do ano passado serviu quase sem que me apercebesse também para isso, estou livre da carga negativa das imensas e boas histórias vindas de todos os lados, livre das histórias ouvidas durante anos e anos acerca da injustiça da descolonização ou dos bens perdidos.
Renamo – Resistência Nacional Moçambicana… resistência nacional a quê?
Aliás, no entender da Directora Municipal Adjunta do Planeamento Urbano, Teresa Chissequere, a substituição justifica-se pelo facto de que “as personalidades portuguesas não deram nenhum contributo ao país”.
Do que sempre soube foi que em 1975 tudo o que em Moçambique tinha algum cheirinho a Portugal foi alterado facto esse que até considero perfeitamente normal no contexto da época.
Se em 1975 "limparam" quase tudo o que cheirava a Portugal em 2009, 34 anos depois, creio que pouco haverá para "limpar".
Ho Shi Min?
Av./Rua de Portugal não encontrei no mapa de Maputo, Rua de França, Av. de Angola ou do Zimbábue sim encontrei.
tipo de pastilha: A minha vida dava duas ou três linhas, África, Deixa-me rir para não chorar..., Irritações, Maputo, Moçambique, Reflexão
A estabilidade no que respeita à paz instalada em Moçambique é uma realidade no entanto estamos perante um país de África com as suas características muito próprias, as heranças e os conceitos de um passado europeu não muito distante estão esquecidos e para uma maioria de moçambicanos esse legado foi “coisa” certamente não vivida.Segundo relatos de um simpático e “virtual” conhecido meu, um português que vive actualmente em Maputo com quem troquei uns mails e que aqui exponho de forma muito resumida, podemos ouvir disparos de AK47 feitos pela própria polícia numa “simples” perseguição.
Nessa perseguição o bandido foi capturado sendo que surge posteriormente com um tiro cravado no pé, é que… “a policia em Moçambique atira ao pé”… “depois de capturar o bandido”.
No último almoço domingueiro na CP (casa dos pais) contava com orgulho e detalhe este episódio quando o meu tio, também ele um ex-habitante da capital de Moçambique, meio a brincar meio a sério sai-se com esta “o tiro no pé é para marcar o tipo”… ficámos todos meios brutos a olhar para ele!
“Sim é para marcar o tipo… é o registo criminal à moda de África” diz seguido de uma gargalhada à moda dele!
“Quando um bandido é capturado a primeira coisa que devem fazer é tirar-lhe o calçado… se existir… e confirmar se esse é o primeiro delito cometido ou não... se for o primeiro delito o pé tá porreiro e toma lá tiro... se já tiver buraquinho... é capaz de não ser agradável”
Fiquei pensativo, não consigo deixar de admitir que possa ser mesmo assim, registo criminal deve existir certamente... mas quando? Depois dos 2 pés furados?
Uma policia que persegue a tiro um “bandido” por não ter pago umas cervejas e que lhe “espeta” com um balázio no pé só pode ser regra.
Esta história (e não só) pode ser lida aqui no blogue do Lupo o "Alunagem".
tipo de pastilha: África, Maputo, Moçambique
Para todos aqueles que, como eu, vieram ao mundo com um autocolantezinho no corpo a dizer MOZ. INSIDE partilho aqui um blogue que recentemente descobri e que venho a ler diariamente.tipo de pastilha: África, Maputo, Moçambique
tipo de pastilha: África, Moçambique
Há anos que tenho como página de entrada na net o Sapo e hoje surpreendentemente, quando olhei para o canto superior esquerdo do portal, vi a bandeira de Moçambique.tipo de pastilha: A minha vida dava duas ou três linhas, Actualidade, África, Moçambique
Azar!
Disseram-nos que não era a época do caranguejo (não havia o caril portanto) e nós não estávamos preparados para ouvir aquilo, ficámos a olhar um para o outro como se o mundo acabasse ali naquele momento.
Não acabou!
Tivemos que inventar um PLANO B e lá fui eu para uns “Camarões à Nacional” e a Soraia para uma “Espetada de Marisco”, para quem como eu ainda não jantou (são 23:45h em Portugal Continental) este post é um martírio em absoluto.
Estava tudo muito bom mas nem mesmo aqueles camarões abertos ao meio com pão de alho torrado mergulhados em molho de cerveja e jindungo e bem acompanhados por duas Laurentinas frescas tirou-me a cisma do caril.
Para “chatear” a minha mãe Alzira mando-lhe uma sms … “estamos a almoçar no Costa do Sol” e que me responde logo na volta do correio … “camarões?” a próxima sms bem que podia ser a combinação do Euromilhões!
Vá lá mãe ajuda o teu filho mais velho a acertar na combinação manda lá isso!
Sentados na esplanada virados para o mar na terra onde ambos nascemos bem no sul de África nada nos perturbaria não fosse ao olhar para a mesa do lado ver uma bela negra com um branco que me era familiar, para quem como eu acompanha bem a música pop europeia reconhecia na mesa do lado o vocalista da banda escocesa TRAVIS e o Senhor (já explico o porquê do Senhor) chama-se Fran Healy.
Tentei confirmar se teria visto bem e apesar de não ter conseguido nem ter ido no momento chatear o moço com conversa da treta, fiquei a saber que este Senhor colabora frequentemente com a organização com fins humanitários Save The Children que opera no continente Africano estando Moçambique e Angola incluídos na lista de países a ajudar.
Fran Healy esteve algumas vezes no Sudão e na certa seria ele e estava ali ao lado e por uma grande causa.
Até posso estar a lançar um boato mas para mim era o gajo!
Era o gajo era!
tipo de pastilha: A minha vida dava duas ou três linhas, África, Maputo, Moçambique, Restaurantes e tascas, Viagens
O bom de viajar é precisamente isso - sentir o local - como diz um amigo "vocês têm que curtir bem, respirar o local" - esse "curtir o local" vai dependendo de pessoa para pessoa e no meu caso concreto é preciso algum tempo para me tranquilizar e começar realmente a desfrutar do local onde estou (e como esta cidade em concreto mexia comigo!) mas voltando ao que vi...
... encontrei parado na estação um comboio em que eu e Soraia tivemos a oportunidade de ver bem as carruagens que invariavelmente transportam os passageiros, as janelas não tinham vidros, os bancos eram de madeira pura e dura sem qualquer forro almofadado, tinham todo o aspecto de terem dezenas de anos, eram muito estreitas, já nem entro em detalhes como o WC, a higiene ou a insonorização.
Estive quase a tirar umas fotos ou até mesmo filmar mas achei que por respeito a algumas pessoas que ali estavam e que com a normal curiosidade nos observavam não o deveria fazer (lá estou eu com as minhas coisas, se calhar deveria soltar-me mais mas eu sou assim mesmo), não estava em frente à Torre Eiffel ou de qualquer outra atracção turística estava em Maputo em frente a uma carruagem e a imaginar uma viagem naquelas condições.
Nunca em toda a minha vida vi ou mesmo utilizei algo próximo daquelas carruagens, estamos mal habituados, naquele momento fiquei impressionado pela negativa mas agora à distância e com maior serenidade pergunto... o que será melhor?
Não será melhor uma viagem naquela carruagem por Moçambique acima levando na cara com os ventos de África que uma viagem de Barcarena até ao Rossio com bancos almofadados em hora de ponta?
Meus amigos se puderem viajar façam-no sempre e desfrutem ao máximo, não levem preconceitos ou ideias negativas que não são mais do que defesas para disfarçar os nossos próprios medos, poderão não mais poder voltar a esse local e ficar com a sensação que agora tenho que não completei a minha viagem a Maputo.
Terei que voltar.
tipo de pastilha: A minha vida dava duas ou três linhas, África, Maputo, Moçambique, Reflexão, Viagens

