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RELATIVIDADE

Aqui estou eu em Natal/Brasil.
Com um sol magnifico, 36°, praia e piscina fantásticas. Boa comida. Gente simpática.
Perfeito?
Nem pensar...!
Que me falta?
Tudo!
Falta-me o maridinho a dizer para pôr mais creme...
Faltam-me os meninos a acordar às 7 da manhã, e a sua alegria contagiante.
Faltam-me os seus risos e brincadeiras na piscina.
Como canta a Brandy Carlisle: "These stories don't mean anything when you've got no one to tell them to."

AMIZADE (the movie)

Mike Scott and my Aunt

In a sunny spring day of 1986 I was about to accomplish my 14th anniversary, I was looking out for a gift for my father’s birthday in the streets of Lisbon with my favorite aunt.

It was for sure the “no money years” so I did need my aunt around to pay the gift, it was symbolic because the main one was me… I was born in the same day of his birthday… this fact made me always proud and I did never forget to tell it to everyone.
The famous “I was born in the same day of my father’s birthday” remains till today.

At that time in the most beautiful train station of Lisbon (Rossio) we did have always a solution for a gift… “let’s go to that one”… my choice was a disc store, I was looking for a 45rpm in the “W” music-stand, I was looking for my favorite song “The Whole of the Moon” from the Waterboys.

As a matter of fact that single intended to be not only a gift for my father but also for myself and I saw no crime at all with that.

I did found it.

When I was prepared to pay for it her voice almost shot me down “that song is not bad but I prefer this one and I think your father too”!

I was without reaction for a few seconds in a frustrated attempt that she paid for it and forgot that nightmare choice, her choice, but no success.
Inside my head I was screaming, I was furious, OH NO, FEARGAL SHARKEY…. NO PLEASE NO… that guy with a strange face… a guy that almost looks like a blonde girl with that hair…. NO PLEASE NO.

I prefer everything about the Waterboys and his mentor Mike Scott instead of Feargal Sharkey, I rather prefer the songs… that voice… the black Ovation guitar… the attitude… the hair… and of course the lyrics… despite of my only 2 or 3 years of English school “The Whole of the Moon” lyrics was far better than the annoying “… and good heart these days is hard to find…”.

No way… the money wasn’t mine so I brought home “A Good Heart” to give to A GOOD HEART as a birthday gift, I don’t know how but she stills my favorite aunt and believe me… I have a lot of aunts.

She forced me to bring home Feargal Sharkey instead of Mike Scott… it’s not fair.
Later, as a revenge, I don’t have one but three “Whole of the Moon”… in the “This is the Sea” album, in the “Best Of 81-90” and in the “T.W.O.T.M. The Music from Mike Scott and the Waterboys”.

"Cala-te pá"

Na minha “carreira” musical muitos episódios engraçados sucederam, o que agora vos conto decorre numa fase muito forte do nosso percurso em que as actuações surgiam regularmente e bem pagas contrariamente ao estatuto de banda desconhecida.
O espectáculo estava agendado para as festas da Amadora, íamos tocar num campo de futebol com os GNR, Santos & Pecadores e com a Fúria do Açúcar, 4 bandas numa só noite, era o tempo dos saudosos bons orçamentos das Câmaras Municipais.
Estávamos de facto ansiosos com essa actuação.

O problema com as entidades patronais de cada um de nós ficou resolvido com 2 dias de férias e assim lá partimos todos catitas num monovolume com motorista e tudo.

Normal seria que, ao passarmos por Leiria, a temperatura subisse uns 2 graus mas naquele dia baixou e surgiram umas nuvens cinzentas como pré-aviso de que algo não iria correr muito bem, nada abalava o nosso entusiasmo, chegados ao recinto o ego aumentou ainda mais… inesperadamente o público que já lá estava gritou e bateu palmas mal saímos da Sharan.
Depressa perceberam que não eram as ilustres vedetas que tocariam nessa noite mas sim os menos famosos de todos ainda assim continuaram com as palmas e com cânticos usados em jogos de futebol… estávamos radiantes… queríamos tocar.

As nuvens decidiram confirmar o pré-aviso e começou a chover em pleno sound-check dos GNR.
O sound-check é o “fazer som” antes das actuações para que tudo fique equilibrado e soe bem, os últimos a actuar são os primeiros a fazer o som e por essa ordem seríamos os últimos a fazer som porque iríamos ser os primeiros a actuar.
Na música ao vivo o estatuto é medido assim o último a tocar é habitualmente a banda mais consagrada.

A chuva atrasou tudo, mesas de som e restantes aparelhagens tapadas em stress, o público que nos aplaudiu desapareceu do local mas o pior estava para vir, a Fúria do Açúcar e nós apesar de integralmente pagos não actuaríamos nessa noite devido ao grande atraso no sound-check.
Eu estava profundamente triste com a situação, tinha divulgado tanto e orgulhosamente o evento que tinha grande parte dos familiares lisboetas na assistência, era daqueles dias em que musicalmente sabíamos que iria correr bem.

Depois do jantar com os Santos & Pecadores e com a Fúria do Açúcar e depois de assistir às actuações dos eleitos decidimos ir para o hotel, como rapazolas poucos tinham tido a experiência prévia de ter estado num hotel de 4 estrelas… tudo era novo e espectaculamente grandioso.
Na manhã seguinte o nosso manager Rui Martins foi fazer o check-out, vendo-o muito perturbado dirigi-me a ele e perguntei-lhe o que se passava… “eh pá um dos quartos tem um adicional de oito contos e tal de HOT TV e MINI BAR”… “andam a brincar pá?”… "nunca viram umas mamas?"... “não sabem que isto é caro pá?”.
A cara de aflitos de uns denunciou-os, os restantes riam perdidos, e ele lá continuou dirigindo-se ao balcão “vieram a Lisboa ver HOT TV e esvaziar o MINI BAR e o Rui é que paga”.

“Oh Rui só vimos um bocadinho”
“Cala-te pá”

P.S. Alguns anos mais tarde a cena (mais ou menos igual) repetiu-se mas num contexto diferente da minha vida.

Para quem ainda não conhece o blogue dos Icon Vadis pode ler esta e outras histórias AQUI.

Também tenho referências de melhores almoços do mundo.

Geralmente, não são os familiares porque estes começam quando começam e acabam quando acabam, o que quer dizer que se vão esticando pela tarde e transformam-se numa espécie de tertúlia. Maravilhosa! Em que se conversa, discute, dizem-se piadas, atacam-se e defendem-se parceiros, enfim, uma delícia, como o João Paulo descreveu na "posta" que "postou", e muito bem, porque se não isto está mesmo a morrer. Aliás, é o que se me afigura que vai acontecer. Também, se calhar, já durou mais do que é costume durar uma pastilha....e esta anda um bocado sem sabor. Adiante!

Dizia então eu que me recordo de excelentes almoços. Este foi na "tropa"!

Estava um mancebo que conhecem a cumprir o chamado SMO, como Alf. mil., quando foi nomeado para fazer uma patrulha de visita aos régulados existentes a norte de L. Marques. E, lá fui, às sete da matina, num jeep Willys, magnífico, com um condutor e dois soldados, pelas estradas de terra vermelha daquela África tão linda.

Primeiro regulado - "Então como vai? Há problemas, falta de água, o gado tem alimento? As machambas estão a produzir? E tem aparecido por aqui gente estranha?" Respostas -Nada, nada, vai tudo bem, meu Alferes, só precisava médico, não tem. Às vezes gente está doente e tem lombrigas e diarreias e hospital é maningue longe..."

E lá continuámos, sem poder acudir à falta de médicos. A situação, mais ou menos idêntica, repetiu-se com o 2 e o 3º régulos visitados.

Quando teríamos andado mais de 100 km, o amigo Willys, resolveu falar - "Já não ando mais. Começo a deitar fumo e daqui não saio." E não saíu! Essa parte da história, de como se resolveu o assunto do jeep, fica para outra altura. Vamos ao almoço.

Depois de andarmos uns kms a pé, conseguimos, num aldeamento, que nos vendessem dois pombos, mortos e temperados na hora com sal, piripiri verde e óleo, assados à cafreal, acompanhados com farinha de milho cozida.

Que delícia! - Éramos quatro homens de vinte e poucos anos, às três da tarde, a rilhar dois pombos com a farinha de milho. Mas que maravilha de sabor e que excelentes cozinheiros existem em África! Até os ossos marcharam! Extraordinário almoço que ainda hoje me lembro dele!

Os melhores almoços do mundo

Mais um almoço domingueiro e mais uma deliciosa história/memória dos tempos da África portuguesa, aquela mesa foi feita para 6 mas eu gosto mesmo é daqueles almoços com as habituais 11 pessoas (7 adultos e 4 crianças).

Estão quase sempre lá todos um bocadinho apertados é certo mas muito dificilmente esse detalhe sem importância faz-nos trocar de programa, com o mesmo ritmo que os famosos petiscos do pai Amadeu vão desaparecendo a conversa flui com entusiasmo genuíno e desta vez de entre muitos outros assuntos destaco a tal memória de África.

De facto nunca tinha perguntado como é que uma pessoa que foi para Moçambique (o meu pai) em pouco mais de 3 anos já era sócio da Ferrageira do Alto Maé juntamente com o Sr. João Sampaio, não sendo ele um jovem com dinheiro mas apenas um que como tantos outros tinha ido tentar a sua sorte na ex-colónia… como teria arranjado o dinheiro e o parceiro certo para a tal sociedade?

Para além da vontade e do voluntarismo é preciso ter alguma sorte, e o meu pai teve-a.

Em Novembro de 1964, acabadinho de chegar a Lourenço Marques vindo de Vila Franca de Xira e com 20 anos, o meu pai levava na bagagem um embrulho para ser entregue ao seu irmão mais velho com quem iria viver nos primeiros tempos e cujo conteúdo desconhecia, o mistério seria desvendado nas primeiras horas de África, era um queijo de Évora que para além do tempo que já tinha ainda levou com mais um mês de barco (paquete Moçambique) do Atlântico norte até ao Índico sul.

O produto alentejano aguenta tudo… já todos sabemos.

O queijo era para um senhor também ele oriundo da terra dos campinos, como o meu pai tinha tempo e queria conhecer a cidade o meu tio pediu-lhe para ir entregar o já famoso queijo, e tudo começou assim, quando voltou para casa não só já tinha um emprego como ia ganhar mais do que o meu tio que trabalhava como caixa no Banco Nacional Ultramarino.

O tal senhor era gente importante em Lourenço Marques e porque em tempos o meu pai (em Vila Franca de Xira) tinha feito desinteressadamente um recado a esse mesmo senhor poucos anos mais tarde oferecia-lhe emprego como apontador de obras da Sofil.

A Sofil era uma sociedade de construções que funcionava como grupo, tinha várias empresas associadas que principalmente operavam para fornecer a “empresa mãe”, tinha uma empresa de areias, uma de tintas e mais algumas outras.
Faltava contudo à Sofil uma empresa que fornecesse os restantes materiais de construção e ferramentas (o chamado material fino… o grosso são as areias, cimentos, tijolos) e assim foi criada a Ferrageira do Alto Maé tendo sido destacados de outras empresas do grupo os dois principais funcionários.
Um desses funcionários era o meu pai que tinha a responsabilidade do contacto com as pessoas, o outro era o tal Sr. João Sampaio menos de contacto mas nuclear pois ficou responsável pela contabilidade da empresa.

Um trágico acontecimento mudou a vida destas 2 pessoas, um prédio de 15 andares que tinha sido construído pela Sofil tinha caído em Lourenço Marques (na Av. 24 de Julho perto da pastelaria Princesa), uma comissão de inquérito para apuramento de responsabilidades que tinha ido da metrópole decidiu dissolver toda a sociedade dando a oportunidade e o direito de preferência aos seus ex-funcionários de ficarem com as respectivas empresas do grupo.

Com a fundamental ajuda da banca o meu pai e o seu sócio compraram a Ferrageira do Alto Maé por 2 mil contos e conseguiram também uma conta caucionada de outros 2 mil contos e tudo isto a pagar em 3 ou 4 anos… e foi pago.

Decidem investir novamente (sempre com a banca por trás) para poderem comercializar ferro, para que tal fosse possível a Associação dos Ferrageiros (uma espécie de Ordem dos Farmacêuticos) exige a compra de um camião, de uma grua e mais uma infindável lista sempre exigida aos poucos.

Tendo passado não mais de 6 ou 7 anos após a compra da sociedade, depois de pago este novo investimento e quando começavam a distribuir lucros surgem os cravos, a Ferrageira foi nacionalizada e convertida como parte da Dimac voltando tudo ao zero.

Traumas

Sabendo que os traumas da colonização portuguesa estão ainda bem presentes nos “nossos” países africanos, nas pessoas que lá viveram e nas que lá ficaram, é Moçambique pelas razões óbvias e conhecidas que me faz parar muitas vezes para pensar sobre tudo e mais alguma coisa.

Deixo-me ir em pensamentos e tentativas de chegar a conclusões que servem para tudo, para preencher a minha mente, para distrair-me, para encurtar os mais de 7.000km de distância, para convencer-me que mais tarde ou mais cedo vou mesmo lá parar.

Neste momento considero-me limpo ou purgado da parte que me tocava desses traumas, a viagem feita em Junho do ano passado serviu quase sem que me apercebesse também para isso, estou livre da carga negativa das imensas e boas histórias vindas de todos os lados, livre das histórias ouvidas durante anos e anos acerca da injustiça da descolonização ou dos bens perdidos.
A fúria colou-se nos bens perdidos mas para mim o pior de tudo foi a grossa fatia cortada à vida das pessoas que eram felizes… eram realmente felizes.
Apesar de me considerar limpo desses traumas e motivado em parte por esta notícia que na realidade deixou-me muito triste e chateado ocupei-me agora a divagar, em jeito de vingança, pelos traumas dos Moçambicanos do lado de lá, dos que actualmente lá vivem, dos nomes das ruas e da designação dos partidos políticos.
Sem qualquer ponta de presunção gostava de ver Moçambique dar mais um passo em frente e exemplar perante os restantes países vizinhos isto porque considero que actualmente não faz qualquer sentido manter-se a designação dos 2 principais partidos.
Porque não mudar?

Frelimo – Frente de Libertação de Moçambique… frente de libertação do quê?
Renamo – Resistência Nacional Moçambicana… resistência nacional a quê?

Não estará na altura de virar a página?
O que me deixou triste e chateado na tal notícia e porque sempre fui português mas sem nunca renegar Moçambique, daqueles que até está a pensar em pedir a dupla nacionalidade só mesmo para fazer sorrir o meu coração, foi esta frase:
... a Comissão Municipal de Toponímia da Cidade de Maputo deliberou no ano findo a substituição de todos os topónimos acima descritos na cidade de Maputo.
Aliás, no entender da Directora Municipal Adjunta do Planeamento Urbano, Teresa Chissequere, a substituição justifica-se pelo facto de que “as personalidades portuguesas não deram nenhum contributo ao país”.
E mais esta:
... esta substituição visa responder a um dispositivo da valorização da cultura moçambicana e do bem comum do seu povo, pelo que “ a toponímia herdada do tempo colonial remete-nos às mazelas da opressão do nosso povo”.

Do que sempre soube foi que em 1975 tudo o que em Moçambique tinha algum cheirinho a Portugal foi alterado facto esse que até considero perfeitamente normal no contexto da época.
O que já não acho nada normal é a ainda necessidade em "pegar" nisso para justificar o que quer que seja, Moçambique faz e fará o que bem entender de si próprio, eu só quero é que evolua, cresça, progrida e que todos lá vivam melhor.

Se em 1975 "limparam" quase tudo o que cheirava a Portugal em 2009, 34 anos depois, creio que pouco haverá para "limpar".
Se em 1975 os nomes de Mouzinho de Albuquerque, António Enes, Massano de Amorim, Manuel de Arriaga, Miguel Bombarda, Craveiro Lopes, só para citar alguns com maior destaque na cidade das acácias nada diziam a Moçambique pelas razões que bem entendi no seu devido contexto pergunto o que contribuíram ou o que continuam a representar:

Ho Shi Min?
Karl Marx?
Vladimir Lenine?
Salvador Allende?
Friedrich Engels?
Olof Palme?
Kim Il Sung?
Mao Tse Tung?
Ou o que contribuíram para além de eventualmente algures na década de 60 e no início de 70 terem apoiado a resistência ou a causa:
Patrice Lumumba?
Julius Nyerere?
Ahmed Sekou Touré?
Mohamed Siad Barre?
Marien Ngouabi?
Kwame Nkrumah?
Kenneth Kaunda?
Dar-Es-Salam?
Todas estas personalidades (e uma cidade) dominam as principais ruas e avenidas de Maputo, e Maputo para mim representa Moçambique no mundo, quer-se valorizar a cultura moçambicana mas exceptuando Eduardo Mondlane que rua ou avenida principal honra outra personalidade moçambicana?
Eusébio ou Mário Coluna serão para muitos traidores, Mia Couto, Malangatana ou Maria de Lurdes Mutola nada representam?

Av./Rua de Portugal não encontrei no mapa de Maputo, Rua de França, Av. de Angola ou do Zimbábue sim encontrei.

Confundir políticos ou gente com poder em Moçambique e perguntar porque continuam a renegar Portugal é quase crime, o que se sente no verdadeiro povo não é isso, eu próprio não senti isso no povo em relação a Portugal, só que dói.

Esses políticos e gente de poder serão talvez os mesmos que pedem a Portugal o perdão da dívida.

ELES ANDAM AI ...

No mês de Novembro postei aqui uma mensagem com o título “Abril em Novembro?”, sobre a iniciativa de alguns alunos, que por acaso até pertencem a uma turma que lecciono, de promoverem um encerramento dos portões da escola. Como estava com problemas de acesso à Internet enviei a msg através de um dos computadores da escola, onde supostamente só têm acesso os professores, e coloquei ai o endereço do blogue nos “favoritos”.

Até aqui tudo normal.

Acontece que no início da última aula, duas alunas entraram no pavilhão a cantar, de forma tímida, uma música que logo identifiquei, uma vez que fez parte da pesquisa que efectuei para o TOP TEN que fiz neste blogue. Quando intervi para que terminassem a cantoria, já que as aulas de Educação Física não contemplam este tipo de conteúdos, uma colega que estava a ouvir disse-me: “ Então o stôr esqueceu-se de colocar esta música no seu TOP?”

Por alguns décimos de segundo nem soube o que dizer.

De forma natural e bem disposta, já que tenho uma boa relação com todos os alunos desta turma, que revelam já alguma maturidade para a sua idade – sim, ainda há destes -, conversei com elas e cheguei à conclusão que, desde aquela notícia que coloquei aqui, de vez em quando lembram-se (uma vez que, segundo as raparigas este é um blogue para “cótas”), e dão uma vista de olhos aos pôsts.

E esta?

Como não podia deixar de ser, aqui está o vídeoclip da música em causa, com uma dedicatória especial para as três cantantes.

Recado: Não vai haver melhores notas por causa disto.

Conclusão: Eles andam ai …



José Malhoa - Um baile de verão

O amigo Vasco

Não me recordo bem qual a hora certa daquele programa, deveria ser por volta das seis da tarde, o que me recordo na perfeição era a ansiedade com que esperava pelo momento.

O meu ensino primário caracterizou-se por duas fantásticas fases nas quais não consigo eleger qual a mais espectacular, a 1ª e 2ª classe feitas no ensino estatal e a 3ª e 4 ª classe feitas no ensino privado, esta recordação reporta-se apenas à primeira dessas duas fases… os anos lectivos de 78/79 e 79/80.

Nos dois primeiros anos tinha aulas só no período da manhã sendo que à tarde fazia os deveres e brincava na rua (no bairro) com as outras crianças amigas/vizinhas tudo isto depois de consumidas as habituais 2 horas para comer as 100 gramas de almoço.

É nesta fase que nasce o famoso “come João Paulo”.

Era a época da Gabriela, do Caminho das Estrelas, do Espaço 1999, da Cornélia (a vaca), da Heidi, do Marco e também a época do tal programa chamado Cinema de Animação apresentado por Vasco Granja.

Vasco Granja faleceu ontem aos 83 anos de idade mas na certa permanecerá por muito tempo na memória de grande parte dos leitores deste blogue.

Como não consegui obter um vídeo do programa original aqui fica uma carinhosa brincadeira feita por Herman José com a participação especial de Vasco Granja gozando consigo próprio.


A minha relação com os cães foi sempre intensa apesar de nunca ter sido um daqueles “donos” obcecados com o(a) “menino(a)”.

A minha aventura com estes adoráveis bichinhos começa por volta dos meus 5 anos.
Nessa altura morava com os meus avós em Anadia, num belo dia o meu avô ensina-me a dominar um cão, “se algum te atacar tentas agarrar com força no focinho para evitar que te morda”.

Confiante fui ao talho com a minha avó e lá estava a primeira vítima, tinha então um problema para resolver… o cão devia atacar-me… devo ter feito alguma porque após as tradicionais festinhas o Pincher (todos sabemos que estes cães são lixados) tenta abocanhar-me… mas eu tinha uma nova técnica e com a minha mãozinha de 5 anos aperto-lhe o quase inexistente focinho... depois fui para o hospital levar uma bácina na dúvida se a valente mordedela nos dedos traria problemas ou não.
Foi o primeiro cão da minha vida.

O segundo já lhe conheci o nome na vez dos dentes, o Malhado, também em Anadia este rafeiro era alimentado com os habituais restos lá de casa, o Malhado ia diariamente com a minha avó buscar-me ao colégio das freiras, diz-me ela que às vezes o cão não a acompanhava até ao colégio… já lá estava à espera… na hora habitual… depois regressávamos os três até casa.

Alguns anos depois os meus pais regressam de Moçambique e com eles uma Chiwawa branquinha chamada Bubu que tinha uns olhos que mais pareciam papa-mundos*, era já velhinha e nunca foi muito à bola com a minha pessoa pois era habitual ver-lhe os dentes... sem nunca por a mãozinha.

O 4º cão, o Pluto, é talvez o mais intenso da minha vida, tudo começa pela escolha do nome um belo episódio de família em que o meu pai resolve acabar com todas as restantes hipóteses (sinceramente não me lembro quais as restantes) com um… “acabou-se vai chamar-se Pluto”… adorámos.
O Pluto foi o companheiro das aventuras de criança e ia para todo o lado connosco, às vezes até era incómodo pois queríamos ir para a escola e lá vinha ele atrás… éramos forçados a despistá-lo… subíamos um muro alto que dava para outra estrada e lá ficava ele impotente a olhar… dávamos a volta e já na mesma rua mas mais à frente espreitávamos com muito cuidado e lá estava ele sentado e frustrado continuando a olhar para referido muro.

Uma história que o meu pai conta é a de um cliente habitual do nosso café que trazia-lhe sempre comida (tipo restos de torresmos… de presunto), esse Sr. adoeceu gravemente e já na fase terminal foi internado no hospital de V.F.X., o meu pai e outros amigos foram visitá-lo e adivinhem quem apareceu no quarto do hospital… o Pluto… foi visitá-lo também e claro foi a choradeira geral entre homens amigos.

Teve uma morte estúpida, enforcado, de noite ficava preso com uma trela comprida e dessa vez por algum motivo subiu ao muro que não imaginávamos que conseguisse e caiu para o outro lado… soubemos na manhã seguinte.

O segundo cão mais famoso do bairro do Bom-Retiro era o Colhão Malhado digamos que era o David Bowie dos cães só que na vez de ter um olho de cada cor tinha 2 sacos de batatas de cada cor agarrados ao pénis, numa brincadeira estúpida de Carnaval colocaram-lhe uma bombinha no rabo e acenderam… não sei qual foi o estúpido resultado mas fico por aqui.

Anos mais tarde e já em Aveiro aparece-me na minha vida o Baltasar um pastor alemão da Soraia e posteriormente a Cocas, uma caniche branquinha das pequenas que por algum motivo gostava mais dos pés do meu irmão Nuno do que de mim.

Já mais recentemente os nossos Bóris que a primeira coisa que fez foi uma diarreia de 10lts no meu carro que 8 anos depois ainda me lembro do odor, o Lord e a Luna e agora a nova estrela o Balu.
Estes estão todos vivinhos da Silva pelo que não há lugar a retrospectivas.

* Os papa-mundos para quem não sabe são uns berlindes mas não os berlindes de tamanho normal são aqueles grandalhões quase do tamanho das bolas de ping-pong.
Há também um tal Sushi que não é mais do que o substituto da Cocas e que reservo-lhe apenas esta mísera nota de rodapé porque já me cravou os dentes na minha mãozinha… és um palerma oh… Sushi!?
Sushi? Eu nem gosto de sushi.

O Sapo em Moçambique

Há anos que tenho como página de entrada na net o Sapo e hoje surpreendentemente, quando olhei para o canto superior esquerdo do portal, vi a bandeira de Moçambique.

Foi criado o Sapo Moçambique!
Para os que como eu têm uma relação especial com África e em particular com este país aqui vai http://www.sapo.mz/.

O 1º Reforço de Inverno

O mercado de transferências encerrou para a Liga no passado dia 31 de Janeiro mas eu decidi (espicaçado pelo Rui Miguel) deixar-me de pruridos e não cumpri os regulamentos.

Contratei o nosso 1º reforço de inverno, o meu amigo Zétó Rodrigues.

Convidei-o porque conheço-o bem e porque sei que é dos "nossos", para além de ser um músico e pessoa que admiro é um puro-sangue, no convite disse-lhe "Zé pensa nisso e depois avisa-me se aceitas ou não" disse-me logo que sim e sem que eu tivesse tempo para o apresentar aos restantes membros surpreendeu-nos com uma mensagem.

É isso mesmo que precisamos, para começar já marcaste um golo e mesmo que a Liga me envie a multa pago-a com satisfação.
Bem-vindo.

O João Aguardela e eu

1996 foi talvez o mais importante e decisivo ano na vida dos eternos Icon Vadis, sai da formação nesse ano o Zica, fundador e principal elemento da banda.
Depois do "choque" inicial decidimos continuar e à custa de muitas horas de trabalho conseguimos o impensável... não só demos um salto qualitativo como descobrimos a real dimensão daquilo o que até então não tínhamos a mínima noção - o nosso valor - (perdoem-me a talvez falta de modéstia) esse valor era enorme.

Em 1996 seriam muitos os concertos, os concursos de música, a Final do Termómetro Unplugged com os Silence Four depois de eliminarmos os Hands on Approach, a ida à televisão, as primeiras partes de grande responsabilidade com bandas de primeira linha, Quinta do Bill, Polo Norte, Xutos & Pontapés e Sitiados.

Numa dessas memoráveis noites, no pavilhão dos Olivais em Coimbra, tocámos simultâneamente com os Xutos & Pontapés e com os Sitiados e naturalmente tive a oportunidade de privar alguns intensos momentos com as "vedetas", conheci nessa noite o João Aguardela (na foto) vocalista e líder dos Sitiados.

Enquanto tocavam os Xutos estávamos os dois no patamar superior das bancadas quando um puto subindo todos os degraus da bancada disse-lhe com um tom desafiador "dou-te 10 escudos se me arranjares o autógrafo da Sandra"!

A Sandra era na altura a acordeonista dos Sitiados e senhora de umas pernas... bom... as pernas mais famosas da música pop portuguesa... é que a menina tocava sempre com uns calções muito curtinhos.
O nosso acordeonista também tem pernas... mas são peludas... e feias... na minha maneira de ver as coisas.

O João com um sorriso rasgado que me surpreendeu disse-lhe "ok dá-me lá os 10 paus", o puto deu-lhe apenas 5 e disse que não tinha mais, ele sempre com o seu sorriso respondeu-lhe "na, na, vai lá arranjar os outros 5 paus que eu arranjo-te o autógrafo" e lá foi o puto a correr... depois vira-se para mim e diz já quase à gargalhada "os putos são demais".

Nunca mais o vi desde essa altura mas marcou-me a proximidade com que lidava com as pessoas, tratou-me como se eu fosse um músico famoso, claro que a história tem um final feliz o puto conseguiu com algum custo (pois passaram vários minutos) os outros 5 escudos e teve o desejado autógrafo.

O João Aguardela faleceu ontem aos 39 anos vitima de cancro... que descanse em paz.

És o Maior

Como deverão imaginar vou seguindo na medida do possível outros blogues, hoje há poucos minutos atrás dou de caras com uma foto (num desses blogues que sigo) que me deixou do mais orgulhoso que poderia estar e que estou certo que deixará igualmente orgulhosos pelo menos alguns dos fiéis leitores deste blogue.

...
Houve um tempo (finais da década de oitenta e início da de noventa) em que o meu pai foi seccionista e até dirigente do Clube do Povo de Esgueira, o meu clube de coração aqui da terra, e vi jogos emocionantes de pavilhão cheio.

Lembro-me em especial de 2 deles por terem sido ganhos pelo Esgueira, por 1 ponto de diferença, num triplo lançado no último momento possível do jogo... esse momento é aquele em que a buzina de facto BUZINA e o jogador já está com os 2 pezinhos no ar e a bola já lançada cai na direcção do cesto... e... tchuá... toma lá 3 pontos... vitória.

Nesse tempo jogavam alguns jogadores que fixei na memória, Dwayne Byrne, Renato, Moutinho, (já me estou a rir acabei de me lembrar de outras coisas), Martinho, Jorge Dias e um tal José Ruivo que passados alguns anos tornou-se num dos meus bons amigos.

Esses jogos foram com a Ovarense e com o Queluz no pavilhão do Clube do Povo.
...

Essa foto espectacular que agora vi é em tudo igual... o resultado foi igualmente a vitória conseguida no último momento possível do jogo... com um triplo... e jogo ganho por 1 ponto!

Nesta matéria o basquetebol é único e permite emoções assim, até ao último quadrimilionésimo de segundo tudo é possível.

Há contudo entre aquelas vitórias do Esgueira que relembrei e esta apenas 3 diferenças de relevo... a década agora é outra.... o clube também... e o herói da proeza... bom o herói da proeza é simplesmente um meu bom Amigo.

Foi o RUI PEDRO.
Podem ler tudo acerca deste feito aqui.
Parabéns Rui só foi pena não ter ido ver-te fazer isto mas com a ajuda desta foto ficou mais fácil imaginar como terá sido.

O Costa do Sol

Maputo, 08/06/2008


Paragem obrigatória para todos os que gostam de comer (bem) o Restaurante Costa do Sol continua de boa saúde e assim lá fomos, eu e a minha Soraia, obsessivamente em busca do famoso caril de caranguejo.

Azar!

Disseram-nos que não era a época do caranguejo (não havia o caril portanto) e nós não estávamos preparados para ouvir aquilo, ficámos a olhar um para o outro como se o mundo acabasse ali naquele momento.

Não acabou!

Tivemos que inventar um PLANO B e lá fui eu para uns “Camarões à Nacional” e a Soraia para uma “Espetada de Marisco”, para quem como eu ainda não jantou (são 23:45h em Portugal Continental) este post é um martírio em absoluto.

Estava tudo muito bom mas nem mesmo aqueles camarões abertos ao meio com pão de alho torrado mergulhados em molho de cerveja e jindungo e bem acompanhados por duas Laurentinas frescas tirou-me a cisma do caril.

Para “chatear” a minha mãe Alzira mando-lhe uma sms … “estamos a almoçar no Costa do Sol” e que me responde logo na volta do correio … “camarões?” a próxima sms bem que podia ser a combinação do Euromilhões!

Vá lá mãe ajuda o teu filho mais velho a acertar na combinação manda lá isso!

Sentados na esplanada virados para o mar na terra onde ambos nascemos bem no sul de África nada nos perturbaria não fosse ao olhar para a mesa do lado ver uma bela negra com um branco que me era familiar, para quem como eu acompanha bem a música pop europeia reconhecia na mesa do lado o vocalista da banda escocesa TRAVIS e o Senhor (já explico o porquê do Senhor) chama-se Fran Healy.







O que faria em Maputo um músico pop famoso?

Tentei confirmar se teria visto bem e apesar de não ter conseguido nem ter ido no momento chatear o moço com conversa da treta, fiquei a saber que este Senhor colabora frequentemente com a organização com fins humanitários Save The Children que opera no continente Africano estando Moçambique e Angola incluídos na lista de países a ajudar.

Fran Healy esteve algumas vezes no Sudão e na certa seria ele e estava ali ao lado e por uma grande causa.

Até posso estar a lançar um boato mas para mim era o gajo!

Era o gajo era!
Post escrito em 23/07/2008

A vida...

Nesta altura do ano damos maior importância a certo valores, talvez pela época natalícia que se está a aproximar....é lógico que deveria ser todo a ano...e é, mas agora há uma maior envolvência familiar, de amor, de amizade, solidariedade...é bom sentir que somos amados ...obrigado amigos por estarem e permanecerem...bom natal para todos....
Comecei esta introdução e divaguei mas a minha principal intenção era contar-vos um pequeno episódio verídico, que ainda me fez valorizar mais a vida e o que ela representa verdadeiramente...à duas semanas atrás fui a Guimarães, logo à entrada da auto-estrada apanhei gelo...não consegui, de forma alguma, controlar o carro....um sufoco..uma sensação de impotência...o que fazer...se batia de um lado do carro tinha um filho, se batia do outro tinha outro filho, se batia de frente tinha a minha mãe e a agravar a situação a minha querida avó...bem, dei quatro voltas...e só consegui parar quando o carro bateu num raile...o carro são chapas...mas o susto que apanhei...que apanharam os meus meninos, nunca me poderei esquecer....O que poderia ter acontecido....fez-me ainda sentir mais o quanto a vida é preciosa e que a devemos viver intensamente, dando valor a quem merece o nosso amor....
Neste Natal peço que todos tenham uma vida preenchida e cheia de felicidade...Vivam cada dia como se fosse o último...

Nem reparavas mas eras o maior!

Irmão amigo, és o maior!

Não notavas mas estava sempre atrás de ti, quando reparavas nisso brincávamos, jogávamos à bola, eu do Benfica tu do Braga, as balizas eram as pernas das mesas do café!

Corrias muito… muito mais do que eu… jogavas muito… muito melhor que eu… nem reparavas no valor que tinhas… nem reparavas no valor que tinhas para mim.

Bebíamos os Caprisone (eram difíceis de beber pois eram uns sumos de merda) só para podermos rebentar com o pacote no fim… davam um estrondo brutal e ríamos… depois íamos beber mais e íamos a correr para casa do desmartelado para ver o Tom Sawyer a cores.

Apanhávamos moscas vivas… guardavas todas dentro da caixinha de fósforos… para depois as congelares na arca da mercearia… “o que é que estás a fazer Toni ?” … “oh hum… está prá aí a congelar moscas !” … era mesmo um parvo aquele pai do Augusto desmartelado… chibava-se todo!
Como se não bastasse ia para a mercearia de roupão, pijama e pantufas naquele estilo de… naquele estilo só dele… para depois atazanar os putos por causa das moscas congeladas… linda figura… e o problema estava nas moscas!

E o tempo que estive na fila para te matricular no ciclo?
E os 500 escudos que aquele velhinho com os copos nos deu no café para fazermos um Benfica vs Sporting ?... fomos à Polidesporto comprar a taça e... ganhámos o jogo... foste à baliza nesse dia... acho que defendeste um penalti!

E as latas?
Coleccionávamos latas… apanhávamos o comboio ao Sábado de manhãzinha e íamos os 2 até Lisboa à Feira da Ladra para as comprar... eram para a colecção!

Inventaste o futebol carica… quantas horas gastámos com esse jogo?
E a carica do Elzo?
Era da Super Bock!
O maior jogador do mundo (no futebol carica)!

Querias dormir e eu a aprender a tocar guitarra… coitado… ninguém merece levar com um aprendiz seja de que instrumento for… depois na manhã seguinte acordavas-me com os infindáveis “JOOOÃÃÃOOOO PAAAAUUUULOOO ACCOOOORDAAAA” repetidos até à minha loucura, eras tu e aquele rádio miserável aos berros com a amiga Olga das 6 e tal da matina em diante!


Tudo isto para te fazer sorrir, para te dizer que és o meu irmão lindo e que mereces ter um Feliz Aniversário!

Porque chorei por Sá Carneiro?

Lembro-me como se fosse hoje!

No dia 4 de Dezembro de 1980 era eu um menino de 8 anos que ansiava pelas férias de Natal e que vivia numa vila onde o touro bravo reinava, seria o primeiro natal depois do regresso dos meus pais de Moçambique e pela primeira vez a família estava toda reunida em Portugal!

Era já noite e fazia o frio típico e próprio da época, subitamente a televisão anunciava a tragédia... Sá Carneiro morria num desastre de avião... usava-se muito a palavra desastre.
Ainda hoje não consigo explicar porquê mas voltei para a cama e chorei!

É quase um Segredo de Estado pois até a este preciso momento em que escrevo este post esta memória estava encerrada no meu esconderijo mais secreto.

Porque chorei?

Não gostava nem percebia nada de politica!
Não era familiar do falecido!
Obviamente que facilmente identificava-o se me perguntassem quem era mas não havia nada que justificasse aquelas lágrimas tão valiosas de uma criança, ou haveria?
Tinha apenas na altura uma ou duas memórias da campanha eleitoral decorrida 1 ano antes quando foi eleito Primeiro-Ministro pela AD e pouco mais.
Não consigo perceber!

Porquê?

Sá Carneiro era assim segundo dizem, pequeno homem em altura mas grande na capacidade de atrair as pessoas e talvez possa ter sido isso que me comoveu, hoje a grande questão discutida é ... como seria o nosso país se aquele Cessna tivesse aterrado no Porto?

Uma coisa é para mim muito clara...
... influências próximas ou não,
... gostemos ou não,
... afinidades ou não com os partidos políticos e com as suas ideologias e conceitos económicos,

... gostava, gosto e admiro muito mais os políticos daquela época (os mortos e os vivos) dos que actualmente exercem politica.

Não se trata de saudosismo, de nostalgia, parece-me que existiam convicções e pessoas que lutavam pelas suas convicções com coerência, era arrebatador o debate, eram Senhores!

Sá Carneiro
Mário Soares
Freitas do Amaral
Álvaro Cunhal

vs

Manuela Ferreira Leite
José Sócrates
Paulo Portas
Jerónimo de Sousa

Acreditem ou não eu acho que estamos a perder em toda a linha, dos actuais líderes os mais arrebatadores e convictos são para mim os líderes de esquerda Sócrates (a quem dou meritoriamente valor) e Jerónimo mas muito por baixo do que espero.

Quero mais!
E rapidamente!

Ingenuamente chorei por Sá Carneiro hoje mesmo que queira muito e consiga encontrar essa infantil ingenuidade jamais conseguirei chorar.

Cão que voa... morde!

Quantas vezes fomos ao cinema e no final (ou a meio do filme) pensámos... mais valia ter ficado em casa?!
Muito de vez em quando lá chegamos à conclusão que o filme era baseado em factos reais e por isso pensámos... bem afinal o filme valeu os 5€!

Pois este post
não valeria nadinha
não fosse o seu conteúdo
ser verdade verdadinha...

... o meu tio-avô...
... senhor para os seus setenta e tal anos de idade...
... estava a passear na rua quando um carro atropela um cão...
... o cão foi projectado dando dois mortais encarpados (inspiração de hollywood) e cai...
... o cão cai batendo nas pernas do meu tio-avô...
... o senhor Magalhães (não é o PC é mesmo o meu tio-avô) em desequilíbrio cai também...
... em cima do cão...
... o cão não gostou que o meu tio-avô tivesse caído em cima dele...
... e morde-lhe no pescoço...
... o meu tio-avô lá foi parar ao hospital e teve que andar a tomar umas bácinas para a raiva!

Valeu ou não os 5€?

A Carruagem

Maputo, Moçambique 10/06/2008

Uma breve visita à Estação dos Caminhos de Ferro de Maputo fez-me pensar melhor no excesso de conforto a que estamos habituados, na Europa estamos protegidos de tudo, tão protegidos que por força desse conforto não nos lembramos que existem outras realidades a menos que possamos ter o privilégio de poder viajar.

O bom de viajar é precisamente isso - sentir o local - como diz um amigo "vocês têm que curtir bem, respirar o local" - esse "curtir o local" vai dependendo de pessoa para pessoa e no meu caso concreto é preciso algum tempo para me tranquilizar e começar realmente a desfrutar do local onde estou (e como esta cidade em concreto mexia comigo!) mas voltando ao que vi...

... encontrei parado na estação um comboio em que eu e Soraia tivemos a oportunidade de ver bem as carruagens que invariavelmente transportam os passageiros, as janelas não tinham vidros, os bancos eram de madeira pura e dura sem qualquer forro almofadado, tinham todo o aspecto de terem dezenas de anos, eram muito estreitas, já nem entro em detalhes como o WC, a higiene ou a insonorização.

Estive quase a tirar umas fotos ou até mesmo filmar mas achei que por respeito a algumas pessoas que ali estavam e que com a normal curiosidade nos observavam não o deveria fazer (lá estou eu com as minhas coisas, se calhar deveria soltar-me mais mas eu sou assim mesmo), não estava em frente à Torre Eiffel ou de qualquer outra atracção turística estava em Maputo em frente a uma carruagem e a imaginar uma viagem naquelas condições.

Nunca em toda a minha vida vi ou mesmo utilizei algo próximo daquelas carruagens, estamos mal habituados, naquele momento fiquei impressionado pela negativa mas agora à distância e com maior serenidade pergunto... o que será melhor?

Não será melhor uma viagem naquela carruagem por Moçambique acima levando na cara com os ventos de África que uma viagem de Barcarena até ao Rossio com bancos almofadados em hora de ponta?

Meus amigos se puderem viajar façam-no sempre e desfrutem ao máximo, não levem preconceitos ou ideias negativas que não são mais do que defesas para disfarçar os nossos próprios medos, poderão não mais poder voltar a esse local e ficar com a sensação que agora tenho que não completei a minha viagem a Maputo.

Terei que voltar.
Post escrito em 20/07/2008