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Ai o meu canário

Já passou algum tempo mas continuo a pensar da mesma forma... na Loja do Cidadão de Faro foi proibido (tipo regulamento interno) usar saias muito curtas, camisolas decotadas, gangas, saltos altos, roupa interior escura, perfumes agressivos e sapatilhas.

O que foram fazer, pára tudo que temos aqui um problema gravíssimo.

Mas qual é o problema de haver regras?
Não querem?
Não aceitam trabalhar lá.

Apesar de achar uma ou outra regra um pouco exageradas, principalmente a proibição das calças de ganga, não vejo porque seja um problema, aliás, o verdadeiro problema é precisamente a ausências de regras.

Por exemplo eu, funcionário da Loja do Cidadão de Faro, como não estamos na Escócia e aqui por tradição os homens não usam saias ou mini-saias levaria vestido uns calções curtinhos para o meu trabalho... seria aceitável?
Ou um decote?

Pois foi, brinquei com o assunto que até estava sério, não devia mas brinquei.

Muito bem, outro exemplo, uma professora, boazona ou nem por isso, deverá levar um bom (leia-se grande) decote e porque não uma camisa branquinha assim para o transparente e um soutien bem colorido para as aulas?

Mas vamos para os homens professores, podem usar saltos altos?
Está escrito ou não que não podem?
Qual é o problema de haver regras?

14 Comments:

  1. R de Rui said...
    Qual o problema por haver regras? Nenhuns, antes pelo contrário, devem haver e ser claras.

    Então comecemos por aí, pela clareza.

    Claras, neste contexto, quer dizer que não permitem dúvidas, o que não é o caso – se as senhoras que lá trabalham forem vestidas com roupas rodadas e com armação do séc. XVIII estarão dentro dos limites impostos pelas ditas regras, de não haver saias muito curtas, mas não deixarão de causar grande escândalo e admiração. Ainda mais se levarem perucas da época e perfumes não agressivos também daquele tempo (segundo parece cheiravam bastante malzinho).

    Também os homens que aí trabalham poderão apresentar-se com o cabelo comprido e frisado, barbas à Vasco da Gama, pois estarão dentro dos parâmetros que vieram na imprensa. Quanto aos saltos altos nem sei bem o que te hei-de dizer, mas exemplifico. Sarkozy seria impedido de lá desenvolver os seus préstimos? Se nunca repararam olhem para os pés do senhor e logo constatarão os centímetros dos tacões. E isso está errado? E os homens podem e as mulheres não, é assim? E os professores são menos que o Sarkozy? E, parece-me, que o Sá Carneiro também usava esse tipo de calçado. Fazia-te diferença? A mim não, pois sou do tempo dos Beatles e quem usava cabelo comprido e tacões altos era maricas. Parece-te que é assim? Eu tenho a certeza que não!

    Camisolas decotadas, não. Como é que é isso? Exactamente o mesmo número de camisola que me serve a mim serve-te a ti, mas as minhas maminhas são maiores que as tuas. E tu podes usar o 38 e eu não? Mas eu posso usar uma de atar ao pescoço e só abre para baixo, tipo baby doll, estás a ver? Ficam bem, eu gosto.

    Roupa interior escura, não? E na Páscoa pode ser roxa? Roxo é escuro ou é claro? E quem é o(a) curador(a) verificador(a) das tonalidades da lingerie ?“Gostasteis” da cor que trago hoje?

    E calças de ganga também não? Porquê? Porque apeteceu a alguém. Mas, repara, isso até prejudica a indústria têxtil nacional que produz muitas gangas.

    Portanto, quanto à clareza, por mim, estamos vistos. Eu tenho de confiar nas pessoas e deixá-las apresentarem-se de acordo com os seus gostos e modas, desde que não causem escândalo nem provoquem perturbação na realização do trabalho.

    Quanto ao excesso de zelo de quem decidiu isso, para não lhe chamar prepotência, eu direi isto, JP:

    A questão não se põe deste modo – não querem estas regras então não venham trabalhar para aqui;
    Não, a questão é exactamente ao contrário - se eu quero que as pessoas que vão para ali trabalhar se apresentem de uma determinada forma, ou lhes dou um subsídio para roupa e digo-lhes exactamente que tipo de roupa quero (conforme sei que se faz nalguns sítios) ou lhes dou uma farda. E, mesmo assim, se calhar, terei que dizer que os botões da blusa não são para andar desapertados até ao umbigo. Para não causar escândalo nem se ver a cor da lingerie.
    R de Rui said...
    Errata do meu comentário:

    Logo no início onde se lê "Nenhuns" deve ler-se "Nenhum".

    Mais abaixo, onde se lê "E, parece-me, que o Sá Carneiro", deve ler-se "E, parece-me que Sá Carneiro"
    João Paulo Santos said...
    Ora aí está... a farda... resolve todos os problemas e em muitas situações até fica bem.

    Não há dúvida que seria a solução mais sensata e eficaz.

    Mas ainda bem que toca no assunto farda, se fosse imposto a farda em todos os serviços como seria?

    Se calhar um problema também, porque seria uma regra eventualmente Salazarenta.

    O que quis dizer com isto é que, independentemente de haver sempre opiniões contrárias e válidas e mesmo eu próprio não concordando ou achando essas regras desprovidas de lógica, se me forem explicadas/impostas de início sei por onde posso ou não ir.

    Aceito-as ou não, não tenho qualquer problema com isso.

    Parece-me é que nunca haverá uma regra que agrade a 100% principalmente se for o Estado a impor como tal nunca poderá ser implementada.

    Se for um privado, veja-se o Belmiro que não permite reuniões à porta fechada, tudo correcto ninguém fala, se for o Estado aí a coisa já é mais complicada e cai tudo em cima.

    Mas eu não sou nem quero ser um defensor do Estado... então deste.

    Uma regra prioritária a impor seria o pagamento atempado das facturas.
    João Banderas Nogueira said...
    Professora boazona, grande decote, camisa branquinha assim para o transparente e um soutien bem colorido para as aulas. Se acrescentares umas calças vermelhas bem justinhas estamos a falar da minha professora de Educação Visual, quando frequentava o 6ºano. Posso dizer-te que foi a disciplina que gostei mais, obtive as melhores notas, comportamento impecável e estava sempre com atenção ao que a professora dizia, mesmo quando estava calada.

    Qual é o mal disto? Nenhum. Antes pelo contrário.

    Condicionar a cor da roupa interior! Interior!! Tá tudo lélé ó quê? Então o pessoal não pode usar boxers do Sporting?
    Quem é que vai verificar isto? Será que os trabalhadores vão ter que se despir todos os dias antes de entrar para o seu emprego, para verificar se a sua roupa está adequada aos regulamentos.

    Outra coisa.
    A tal loja do cidadão não é uma instituição pública que deve respeitar as leis do estado português? Que autonomia tem para impor de forma unilateral estas coisas? Quem aprovou isto? Algum funcionário dedicado, com lampejos de ditadorzeco da treta, que teve uma ideia iluminada? E pode?

    Então e se fosse o contrário? Só podem trabalhar aqui se vestirem camisas com grandes decotes, roupa interior com bonecos coloridos, sapatilhas, cheirar mal dos sovacos, etc. Quem aceita estas restrições de vestuário também tem que concordar com as outras.

    Mais. Isto de “Se não queres trabalhar com estas regras vai-te embora.” não é bem assim. Quando o trabalhador assumiu as suas funções ninguém o informou disso. Estão a mudar as regras a meio do jogo. As instituições públicas não funcionam como as privadas. E ainda bem. Enquanto estivermos num estado democrático, ainda por cima sem subsídio de vestuário, estas coisas não podem acontecer.

    Francamente.

    É de salientar que este comentário é de um professor que ainda dá aulas de calções quando lhe apetece. Até ver.
    R de Rui said...
    JP, além de pagar as facturas a tempo convinha devolver o IVA dentro dos prazos.

    Em relação às fardas há muitos departamentos estatais onde isso sucede - hospitais, todos de farda/bata; cantinas e refeitórios, tudo com fardeta; pessoal auxiliar das escolas, batas...se me lembrar de mais direi. Portanto, nada tem de polémico nem de salazarento (este aspecto do salazarento é treta...não é relevante).

    Quanto aos privados podes crer que, quando tomam decisões polémicas, também são questionados e, por vezes, a opinião pública fá-los mudar. Recordo que o BCP, nos seus primórdios, não admitia mulheres nos seus quadros...até que as tiveram que aceitar. E, hoje, lá estão, sem fardas mas não sei se têm subsídio para a roupinha.

    E, dizes tu e eu acredito, nas empresas belmirianas não há reuniões à porta fechada. Sério? E qual é o aspecto polémico? E, se lá for um investidor com uns biliões negociar com eles e disser que quer falar à porta fechada, acreditas que o mandam embora? Ou será que fecham a porta? A não ser que as salas deles nem sequer tenham portas. Assim poupavam na construção e cumpririam sempre o princípio.
    João Paulo Santos said...
    Banderas,

    Acho que não foi assim.
    As regras foram impostas de início daí o meu "quem acha que deve aceitar aceita quem não concorda tem sempre a segunda opção".

    Eu também tive uma professora (formação musical... está visto que o pessoal das artes) que usava umas calças e uns decotes altamente mas não era muito fácil estar atento aos ditados melódicos :).

    Também tenho cá um feeling que essas regras foram lançadas por algum motivo que lá saberão.
    João Paulo Santos said...
    Esta troca de "postas" está fantástica... venham outras... e nem foi necessário recorrer ao futebol.

    Francamente não esperava.

    Abraços, gostava de mandar uns beijos por isso venham as opiniões delas também.
    João Paulo Santos said...
    Rui,

    O aspecto polémico para mim é o seguinte:
    Bem mais grave do que a forma de vestir ou cheirar do funcionário é presumir que ele "mete" umas coroas ao bolso nas reuniões que terá de porta fechada.
    Pode não ter sido formalmente decretada essa regra mas vi sempre um stress brutal inerente à porta fechada nas reuniões que tive, isto é, para mim ficou claro que a porta teria que estar sempre aberta.

    É para mim claro também que um investidor de biliões terá outro tratamento, será ao mais alto nível, onde eu não creio poder chegar (neste momento pelo menos amanhã nunca se sabe).
    R de Rui said...
    JP, amanhã não, acho que não chegas lá, mas, depois de amanhã, cá te espero...

    Tanto dá porta aberta ou porta fechada, quem quiser meter as "coroas" ao bolso até no restaurante, por baixo da mesa. À vista de todos.

    E quanto aos beijos, JP, não te quero desconsolado. Pega lá duas beijocas repenicadas. Vá lá, e um abraço.
    João Paulo Santos said...
    Essa barba pica :)
    R de Rui said...
    Nã, não a corto para te dar beijos....
    Ana Nazário said...
    Só uma achegazita de quem usa farda para trabalhar: mesmo quando usamos farda existe a hipótese de prevaricar, ficar foleiro, demasiado sexy e etc. O problema reside quase sempre na falta de bom senso de quem a usa.
    E o bom senso deve prevalecer sempre, mas o que é bonito para mim, pode não o ser para os demais.
    Quando se assina um contrato de trabalho e os códigos de vestiário estão explicitos, devem ser cumpridos,mas se por estes não existem, muito cuidado ao avaliar quem se vai contratar.
    Anónimo said...
    Gays ...
    Ana Nazário said...
    Caro/a Sr/a, menino/menina anónimo/a:
    Com opiniões/observações tão inteligentes e bem fundamentadas deve ser uma pessoa bem interessante.
    Obrigada por participar.

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